FELIZ NATAL

Tormento

Author: Corvo Negro /



Tenho estes dias, em que não sei o que escrever.
Antes, tive outros em que não podia.
Hoje sinto que posso esta dislexia daquilo que enfim não sabia.
…e afinal, eu não preciso sequer saber!

Afinal, basta-me deixar ir.
Nesta corrente em que não me consigo separar do pensamento.



Publicado por telemovel.
Imagem da minha autoria.

Hedonismo

Author: Corvo Negro /



É a arte e ciência de reprimir o próprio sistema nervoso para um funcionamento mais extático e inteligente.


Reencarnação em série (num único corpo)


Junta-te à RM

Author: Corvo Negro /


É do teu interesse contactar a Inteligência Superior?
É simples.

O nosso cérebro é (como afirmou Freud) um “órgão de adaptação”.
Torna-te por isso, num(a) Engenheiro(a) Hedónico(a).
Usa o teu cérebro para proveito próprio e para curtir. Eficientemente.
Criativamente, para contactar a Inteligência Superior que se encontra aí, bem dentro de ti.

É disto que trata a Revolução Mental.
Diverte-te e recria-te com a tua nova cabeça, enquanto vais ficando cada vez mais esperto(a).

Não precisas enviar dinheiro.
Basta para o efeito, de vez em quando, consultar o manual básico de programação para a mente humana.
Este... o blogue que tens entre olhos.

Leva-me daqui (2ª parte)

Author: Corvo Negro /



Mas os caminhos para qualquer coisa raramente me conduzem, muito pelo contrário. Progressivamente, no laconismo que calcorreia cada passo que dou, a concubina palavra se desvanece, juntamente com a memória ambiental que a favorecia.
Dissipo-me em fragmentos (assim me determino no processo dissidente em que me filio).
Não há aqui ninguém… convencer não se adequa à ocupação de uma casa qualquer.
Sei lá eu o que sinto, quando nem sei onde começou e, o limbo é sempre onde me repito.
Eu sou um tímido composto intermitente. Nada sei e sinto-me o mesmo nada, de forma antagónica, complicadamente.
Antes pensasse que cada vez sei mais sobre cada vez menos!
Neste momento, na escritura desta íntima perturbação, a qual a todos certamente passará desentendida porque afinal ninguém me conhece, nem podia… dou por mim inextrincavelmente a erguer um fogo tarso, na crença de que nada nem ninguém me pode excluir seja do que for porque gosto de me evidenciar na arrogância das cinzas, que no sopro do vento se libertam e objectam.
Eu sou tão violento quando me lamento, como se a verdade universal pudesse realmente existir pr’além do credo de uma conclusão divina!
Já terão reparado que troquei a feminilidade antes escorrida, por palavras que, agora todas juntas combinam a irredutibilidade de uma ilusão, de uma compensação subserviente.
Mas porque caralho tenho eu de me justificar a mim mesmo?
É curiosa, esta sensação de complexidade frívola que me invade instantaneamente! Curiosa porque se revela quase incontestavelmente contraditória.
Falha-me a moral na convicção, uma persuasão que necessito para poder pintar os contornos dos abismos destas palavras.
Também eu me vejo a acolher o pensamento na mente, um suor salgado incolor na carmínea que se há-de ocultar, como o mesmo sol extraordinário que todos os dias se despede vagarosamente, esperançado que alguém se lembre… que alguém lhe diga “até já”.

The Fall Of Every Season [Encanto]

Author: Corvo Negro /


Adorava ser...


A inevitabilidade da sua queda



Folha d’Inverno



Adorava ser o timbre do seu abandono


Morrer como quem cai de sono



Adorava…



Beijar-lhe o pranto


…e adormecer entretanto

Corvo

Author: Corvo Negro /




É inegável a má fama ou a conotação puramente negativa relativamente ao negro pássaro Corvo. Afirmo-o eu e é a conclusão de um estudo comparativo de costumes e crenças de variadíssimos povos. Esta compreensão não só é contemporânea como é mais assinalável no continente Europeu.
O Corvo, é portanto, considerado com efeito nos sonhos, como uma figura de mau agouro, geralmente ligada ao medo do infortúnio.
É também a ave negra dos românticos que sobrevoa os campos de batalha para se refastelar com a carne dos cadáveres.
Esta é (repito) uma acepção recente e devidamente localizada. Na Índia, por exemplo, o Mahabarata compara a corvos os mensageiros da morte.

É porém, Universal que é sobre as virtudes positivas do corvo que se produz o seu simbolismo.

No Oriente (China e Japão) o corvo simboliza a gratidão filial bem como o restabelecimento da ordem social, tendo em conta o facto do corvo alimentar pai e mãe.
No Japão, é simultaneamente um mensageiro divino, ave de bom agouro, proclamadora dos seus triunfos e da sua virtude.
Já na China, trata-se de uma ave solar (foram dez corvos que levantaram voo da amoreira do Levante a fim de trazerem a luz ao mundo).

No Génesis o corvo é símbolo de perspicácia, conforme a citação que recentemente reproduzi numa das minhas publicações “Look at me”.
Na Grécia, o corvo (eternamente solar) era consagrado a Apolo, desempenhando o papel de mensageiro dos deuses e de missão profética atribuída. Os corvos eram também atributos de Mitra (acreditava-se que eram dotados do poder de conjurar a má sorte).
É também nas lendas Celtas que o corvo desempenha o papel profético e se nos basearmos numa das mais conhecidas mitologias, a escandinava, deparamo-nos com os famosos mensageiros Hugin e Munin, os dois corvos de Odin, representando o espírito e a memória respectivamente.
No Pacífico, entre os índios Tlingit, o corvo é a figura central divina, herói e demiurgo primordial, ou seja, o que cria e organiza o mundo e na América do Norte tende representar o Ser supremo celeste personificando a trovoada e o vento (com o bater das suas asas ele cria o vento, sendo a sua língua o relâmpago).
Os Maias elegem-no como mensageiro do deus da trovoada e do relâmpago e é na negra África que a ave representa o papel de guia e de espírito protector.

Muito mais há a referir sobre o corvo mas não se justifica de forma alguma alongar-me aqui.
Resta reter que na maior parte das crenças a seu respeito, o corvo surge como um herói solar, muitas vezes demiurgo ou mensageiro divino e até guia das almas na sua ultima viajem, já que sendo ele psicopompo, tem o dom de penetrar sem se desorientar, o segredo das trevas.


Eu, Corvo Negro, sou símbolo manifesto da solidão – do isolamento voluntário daquele que decidiu viver num plano superior.
Sou simultaneamente o símbolo da esperança, entoando-a no meu crocitar (cras cras*).


*amanhã amanhã

Éter

Author: Corvo Negro /


Procedo… culminando, fantasiando uma antecipação psíquica à possibilidade de um sonho em particular. Um sonho acordado, escrito e antes criado… no enlace do espírito (espíritos).
Temendo de alguma forma a substancia impregnante do vazio, escrevo esta ânsia soergue, puro pé-de-vento onírico de uma cinza óssea tenebrosamente desionizada.
Que se fodam, aqueles que se dissimulam através da sua própria inabitabilidade.
Se sonhei, concebi… antecipei e nunca adormeci.


Analisa a rede que nos entrelaça… é nela, que o sonho suspenso se adivinha... quiça, se embaraça.

Leva-me daqui (fábula)

Author: Corvo Negro /



Epá… que puta de cerimónia!
Reúno-me por aqui com as palavras. Brindo-as com a arcádia dos meus ossos.
Reparo em todas um olhar casual, como que concedendo-me predicados para que me creditem de alguma forma - uma atitude distinta de caracterização que até me seduz (o estado de espírito evidentemente).
O único que transpiro quase sempre, inadvertidamente confesso, é… romântico. Garantidamente.
As palavras, essas trajadas de clemência, não me conseguem a distinção. Preludio inacessível portanto!
Lá lhes vou sorrindo subtilmente, em tom de apatia fina e sensata, permitindo-nos à luxúria do desprezo do tempo. Inebriam-se vagas ironias, partilhadas numa sensação difusa à própria lucidez do entendimento. Gera-se aqui um estranho fascínio!
Brilham-me… elas as palavras. Nos meus olhos obviamente, ocasionando-me embrutecer numa espécie de fixação ébria.
Mais difícil que falar para tão requintada plateia terá sido a visão das pernas traçadas daquela palavra fêmea, ali! Uma sedutora tão convincente quanto fatalista, nesciamente curvilínea e aromática.
Dou por mim a engasgar a coerência entre a ideia e a voz, um silêncio repentino e revelador. Embaraço apenas por ela reparado.
Sou convenientemente salvo pela impaciência de uma outra palavra que há muito aguardava obstar-me a eloquência. Concedo-lhe a devida atenção com um olhar improvisado… não, não me parece.
Sinto um delírio na concentração. Algo me divide, convergindo-me intimamente à monomania angariada, mas lá vou conseguindo manter-me, numa postura minimamente digna e afinal, merecida pela minha momentânea interlocutora.
Sorrio-lhe em concordância, evocando a pluralidade da razão. Sempre me desviei da disputa gratuita, da culpa generalista e da móbiles absolutista.
Faço rir a plateia com associações pitorescas, cantarolando-as em sotaque estranho e divertido.
Cruzo os braços e encolho os ombros, recriando um vocábulo corporal. Recebo um aplauso breve e tácito da já referenciada conquistadora, agora de lábios brilhantes, humedecidos pela envolvência quer circunstancial, quer intelectual.
Os meus olhos postos nos dela, decifrando-lhe querer-me de olhos cerrados, tão cerrados quanto os dela, concorrendo as nuvens no caminho de casa.
Uma casa qualquer.

Mito

Author: Corvo Negro /



Está frio. Escrevo com os dedos entorpecidos
Não é com o fogo que componho mas com as sombras
A lua despertou onde o sol se deitou
E eu…
Escrevo daqui o todo onde deveras não estou

Escrevo…
Algo sobre o que não sou.

Penas de fogo

Author: Corvo Negro /

Burn” é o título do melhor tema musical composto pelos míticos “The Cure” (opinião pessoal).

É vasto, todo o simbolismo inerente ao elemento Fogo. Ora, sendo eu um fervoroso e eterno estudante/investigador de áreas como simbologia e antropologia convém-me contrariar todos aqueles que se baseando na enciclopédia virtual da Web 2.0 (esses tais macacos infinitos – wikipedianos), se convenceram ser portadores de uma sabedoria a qual automaticamente elegem como verdade.
Meus meninos, por vossa causa vejo-me forçado momentaneamente a violar a minha condição de acusmático e esclarecer-vos que a maior parte dos aspectos relacionados com o simbolismo do fogo está resumida na doutrina hindu, a qual lhe confere uma importância fundamental.
Agni, Indra e Surya são os fogos dos mundos terrestre, intermediário e celeste, ou seja, o fogo comum, o raio e o Sol.
Existem para além destes o da penetração/absorção e um que todos vós conheceis, o da destruição (sentiram-me a sorrir?).
O fogo corresponde (segundo o I Ching) ao Sul, ao vermelho (cor), Verão e ao coração.
Já cá faltava o coraçãozinho não é!? Pois… mas é mesmo assim, quer simbolize a paixão (amor e a cólera), quer simbolize o espírito, que é também o sopro e o conhecimento intuitivo.
Já quanto ao simbolismo sobrenatural do fogo, este vai desde as almas errantes (fogos fátuos, lanternas do Extremo Oriente) até ao espírito divino. Brahma é idêntico ao fogo, (conforme nos revela o Gita).
O símbolo do fogo purificador e regenerador desenvolve-se do Ocidente ao Oriente.
Buda substitui o fogo sacrificial do hinduísmo pelo fogo interior que, é em simultâneo, conhecimento penetrante, iluminação e destruição do invólucro.
O aspecto destruidor do fogo comporta como é óbvio, também um aspecto negativo, exercendo como função diabólica o seu domínio. Relembro-vos o propósito da forja, que sendo o seu fogo celeste e subterrâneo ao mesmo tempo, é o instrumento do demiurgo.
E acho que me fico por aqui, já que mencionado o demiurgo, estou a forçar-vos a uma abertura espiritual da qual tenho sérias duvidas que a consigam.
Quem sabe, a seguir vos escreva sobre o Corvo, visto ser o principal protagonista do vídeo musical e claro, a máscara que adoptei a mim mesmo (sentiram-me a sorrir novamente?)


Uma tangente de sorriso

Author: Corvo Negro /

Como poderei eu dormir sobre cinzas ainda rubras?


É noite e eu sobrevoo a elevação do desejo, respirando-lhe a transpiração.
Inspiro-me à procriação do ócio ainda aquecido pelas palavras, deitado sob um pináculo de quimeras exsudadas.


O sorriso desenha-se a si próprio no instante de uma lúbrica contenção.
A ideia de sorrir não é descabida e muito menos desprovida, afinal, o momento é sublime, este… em que me incito ao sustento de uma calma aparente, na plenitude de tudo estar assente.


Eloquente forma de sentir!
Esta… de mim para mim e, aqui entre nós que ninguém nos ouve… suspiro à doutrina que não sendo um ser, tem afinal, o ser de um suceder.

Esta é, delicadamente, a tradução da ocasião.

Visão… recta e directa.
Isso… assim.



I was…
Smiling the poem’s illusion
Dreaming a path to the thought

Flutua comigo

Author: Corvo Negro /


Treva divina.



Semelhança… névoa fresca e melíflua, passageira, lenta… uma espécie de hálito inerte a tocar-me as virilhas da alma.



Deslumbra-me este estado de perfeita harmonia cosmogónica… um libidinoso sacrifício que me liberta e eleva e… estende.


Escuto-te a passada… escuto-a muito bem.
Impregnas-me [só] com o odor do anseio que o teu compasso tem.


Línguas de fogo

Author: Corvo Negro /

[...]


Quis envolver-me de sombras
Enquanto escutava
Mas as sombras eram um fogo
Em decomposição
Afinal…



Tão frágil é a palavra
Quando o silêncio é um temor

Negro Volátil

Author: Corvo Negro /


Que língua se fala no paraíso?

Há muita coisa, coisas demais… que me põem a pensar e é o que faço e já não sei o que aqui faço!

Precisarei disto para regressar ao meu estado edénico? Apetece-me rir, mas não o faço. Por respeito ao nada… a um nada em particular e não adianta especular.
Será o centro do mundo idêntico ao centro do meu ser e será o meu ser o centro de um universo ainda por acontecer?

Quantos dias mais me faltam para esquecer?